Ato pela Educação Pública da RMBH

Em outubro de 2017, realizamos o Ato Pela Educação Pública de Belo Horizonte, denunciando a falência do ensino público em Belo Horizonte e Minas Gerais.

Essa história começou em julho de 2017. Sentamos eu, Daniel e Mateus para conversar sobre a fundação do Instituto Equale. Cada um por um motivo diferente, estávamos incomodados com o cenário da educação belo-horizontina. Mas, acima de qualquer convicção pessoal, assustava um dado trazido pelo Daniel: apenas 20% dos estudantes das escolas públicas de Belo Horizonte e Minas Gerais terminam o Ensino Médio sabendo os conteúdos esperados para o segmento.

O dado era assustador em dois sentidos: por um lado, mostrava a total falência do sistema de ensino em nossa cidade e Estado. Por outro lado, gerava a angústia de pensar como uma educação com tal indicador seria capaz de realmente impactar a vida do cidadão belo-horizontino em sua vida adulta. Quais oportunidades estariam abertas para nossos formandos?

Aos poucos começamos a trabalhar nos objetivos do Instituto, pensando na formação de comunidades escolares, que pudessem se fortalecer pelo compartilhamento de ideias e a reivindicação conjunta de mudanças na área da educação. Mas uma coisa estava clara: era necessário lançar aos quatro ventos a informação de que dispúnhamos. Precisávamos analisar os dados e revoltar cada cidadão para que sentisse a mesma urgência de mudar este cenário, que nós sentimos.

Com a ajuda da Carla, que se juntou ao grupo de fundadores, começamos a delinear uma estratégia de divulgação. Contando ainda com o apoio da Branca e da Bruna, da PAR Cenografia, organizamos nosso primeiro Ato Público pela Educação na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A proposta era atrair pessoas do cenário da educação e divulgar dados que pesquisamos no primeiro mês de Instituto. Queríamos também atingir a mídia e dar visibilidade aos dados escandalosos que encontrávamos.

Caro leitor, naquele momento, tínhamos tantos dados que era até difícil escolher o que apontar primeiro. Carla sofreu para colocar em um panfleto só tanta informação:

  • Apenas 1 a cada 5 estudantes do 9º ano da rede pública de Belo Horizonte domina os conteúdos de Matemática previstos para o Ensino Fundamental II;
  • Já no 3º ano do Ensino Infantil, apenas 62% dos estudantes dominam os conteúdos básicos de Matemático esperados para o segmento;
  • Entre 2014 e 2016, a rede pública de Belo Horizonte simplesmente deixou de oferecer vagas para a educação profissional integrada;
  • O número de matrículas no ensino técnico vem caindo a cada ano em Belo Horizonte, nos colocando cada vez mais distantes das metas do Segundo Plano Nacional de Educação;
  • 1 a cada cinco professores belo-horizontinos não possui licenciatura na área que lecional;
  • Profissionais graduados em outras áreas recebem aproximadamente R$5762,40 por mês, enquanto um professor graduado recebe em média R$2.298,80;
  • As matrículas com educação inclusiva e especial caem a cada ano;
  • A educação em Belo Horizonte vem sofrendo cortes sistemáticos nas verbas entre 2014 e 2018.

Assim, no dia 23 de outubro, início da aplicação da Provinha Brasil, fomos para a Praça da Assembleia. Colocamos o cenário montado pela Par Cenografia em um caminhão. Juntos, nós sete montamos o cenário, e começamos a panfletagem. O cenário foi gravado pela Alterosa e fomos entrevistados pela Itatiaia e Rádio Assembleia.

 

Panfletamos toda a tarde, conversamos com os transeuntes. E aí choveu, e choveu muito. Choveu no cenário, nos panfletos. Às 19 horas, removemos o cenário e encerramos o Ato. A inauguração público do Instituto estava feita.

 

Lucas Madsen

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