Pesquisa de intenção de evasão em cursinhos populares

Em 2018, o Instituto Equale fez uma pesquisa de intenção de evasão com 257 estudantes de cursinhos populares da região metropolitana de Belo Horizonte. O objetivo da pesquisa era dar retorno rápido sobre quais causas poderiam levar estudantes a parar de frequentar as aulas. Assim, os gestores poderiam tomar medidas rápidas para evitar o abandono.

No ano passado, cada curso participante recebeu um relatório sobre a evasão em suas unidades. Desde então, estivemos compilando as informações em um relatório único, que servisse de referência estatística para todos os cursos. A partir desses dados, também somos capazes de repensar nossas atividades, orientado-as para garantir a permanências dos estudantes.

Quem são os estudantes ameaçados de evasão?

As primeiras perguntas da pesquisa estavam voltadas para o reconhecimento do perfil dos estudantes. O resultado confirma que o público atendido pelos cursinhos populares é de jovens de baixa renda. Mais de 70% têm entre 19 e 21 anos de idade. Morando em famílias com mais de três pessoas, vivem com renda familiar igual ou inferior a três salários mínimos.

Entre os 257 entrevistados, 140 moravam em Belo Horizonte. Sendo que mais de 70% utilizavam o ônibus como principal meio de transporte. Apesar dos cursinhos populares serem, em sua maioria, gratuitos, a pesquisa mostrou que existem custos para estudar, mesmo assim. Mais de 75% dos estudantes utilizavam mais de dois ônibus por dia para frequentar as aulas. Assim, mais de 50% dos estudantes já havia cogitado abandonar o curso por causa dos custos das tarifas.

Hábitos

Outro dado importante que foi recolhido diz respeito à alimentação dos estudantes. Foi fator de surpresa para os gestores de cursinhos populares descobrir que mais de 40% dos seus estudantes já haviam assistido aula com fome, e não tinha condições de se alimentar. Apesar disso, apenas 12% haviam cogitado abandonar o curso por esse motivo. Isso indica a grande garra dos estudantes, capazes de se manterem firmes nos estudos, mesmo sob a pressão da fome.

Família

Quando foi estudada a composição familiar dos estudantes, encontramos dados que reforçam a importância do trabalho dos cursinho populares. Com apenas 5% dos países tendo cursado o Ensino Superior, frequentemente os estudantes aprovados são os primeiros a alcançarem esse grau de instrução.

Também é interessante notar que mais da metade dos estudantes tinham irmãos mais novos em idade escolar. Ainda pode ser pesquisada a influência dos irmãos mais velhos que estudam nos cursinhos populares sobre seus irmãos.

Intenção de evasão

Acima de tudo, a pesquisa apontou para um dado alarmante: por volta de 60% dos estudantes cogitavam abandonar as aulas. As principais razões eram a necessidade de ajudar as famílias, com o trabalho, o estresse e os custos com transporte.

Próximos passos

De posse das informações da pesquisa, o Equale vem adotando algumas importantes estratégias: a busca por interiorização dos cursinhos populares, de forma que alcancem estudantes da região metropolitana. Esperamos, com isso, reduzir os custos com transporte e o cansaço com o deslocamento.

Também estamos buscando a arrecadação de alimentos para retirar os estudantes da condição de fome durante as aulas. Isso importante por uma questão de garantir a dignidade da pessoa humana, além de garantir um bom desempenho acadêmico dos estudantes.

Além disso, estamos preparando uma forte campanha de arrecadação de auxílio-transporte para os estudantes identificados com menor renda entre o alunado dos cursinhos populares.

Por fim, estamos preparando duas novas pesquisas: uma voltada para avaliar a evasão real no ano de 2018. Esse número é desconhecido, embora seja estimado pelos gestores entre 40% e 60%. A segunda, a pesquisa de intenção de evasão, para 2019.

Mais informações podem ser encontradas na publicação completa, disponível neste link. Você também pode encontrar mais pesquisas sobre cursinhos populares em http://mafaldameraki.org.br/producoes-academicas/

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