Campanha de Auxílio-transporte 2019

Uma das maiores dificuldades para o estudante de cursinho popular é o pagamento do transporte. Embora as aulas sejam gratuitas e ministradas por voluntários, o deslocamento pode chegar a mais de R$400,00 por mês. Para ajudar, o Instituto Equale está fazendo uma campanha de arrecadação de ajudas para o transporte de estudantes. 

Contribuições podem ser oferecidas por meio da plataforma Asaas site, do Instituto Equale.

Os cursinhos populares atendem estudantes provenientes de escola pública. Em média, núcleos familiares possuem mais de três pessoas, e a renda bruta inferior a três salários mínimos, por mês. Para saber mais sobre o perfil dos estudantes acesse nossas publicações.

Custos do transporte

Aproximadamente 75% dos estudantes utilizam o transporte público como principal forma de deslocamento. Nesse caso, o deslocamento custará no mínimo R$136,00, se o estudante utilizar apenas um metrô para ir e voltar das aulas.

Se o estudante utilizar um ônibus para ir e voltar das aulas, suas passagens custarão no mínimo R$190,00 por mês, o que já corresponde a 6% da renda mensal da maioria das famílias.

Região Metropolitana

Mas a situação fica complicada especialmente para um grupo de aproximadamente 20% do alunado, que precisa se deslocar a partir da região metropolitana. À exceção de Betim, Contagem, Ibirité e Vespasiano, as cidades da Região Metropolitana não possuem cursinhos populares instalados. O estudante precisa se deslocar até a capital para estudar.

Nesses casos, as passagens podem chegar a R$560,00, por mês. Nesse caso, para uma família com 3 salários mínimos, o deslocamento do estudante corresponderá a 20% da renda familiar.

Tal situação se deve especialmente à falta de integração nas tarifas do transporte público, que exigem do estudante o pagamento de um ônibus metropolitano, que custa em média R$5,30, somada à passagem do ônibus de Belo Horizonte, a R$4,50. Duas vezes por dia, uma para ir e uma para voltar.

Auxílio-transporte

Para mitigar as dificuldades vividas pelos estudantes, o Equale vem fomentando uma campanha de arrecadação de auxílio-transporte desde 2017. A campanha começou com um protótipo entre os fundadores do Equale e suas famílias, mas evoluiu para um modelo em que professores e estudantes ou outras pessoas interessadas na causa da educação também ajudam.

Em 2018, o Equale auxiliou quatro estudantes a assistirem as aulas.

O desafio para 2019 é maior: os cursinhos populares estão lentamente aumentando o grau de rigidez do processo seletivo, no que tange à situação sócio-econômica do estudante. Hoje, para estudar na maioria dos cursinhos populares da rede é necessário possuir renda familiar per-capita inferior a um salário mínimo e meio (R$ 1.497,00 por pessoa que reside na casa). Além disso é necessário ter estudado o Ensino Médio integralmente em escola pública da rede pública municipal ou estadual.

Como os cursinhos estão utilizando o sorteio como critério de desempate, o perfil do alunado está incluindo cada vez mais estudantes com renda familiar inferior a um salário mínimo.

Para 2019, temos uma lista de espera de aproximadamente 20 estudantes aguardando uma bolsa para poderem frequentar as aulas.

 

Como funciona a campanha

O Instituo Equale é responsável por mediar a relação doador-cursinho-estudante. O processo começa com o Cursinho Popular indicando uma lista de estudantes que precisam do auxílio-transporte, por ordem de prioridade, de acordo com seus dados sócio-econômicos. O Equale coleta os dados dos estudantes e solicita que criem um cartão de ônibus identificado.

A partir do cartão, o estudante gera um boleto com o valor das passagens do mês, que é pago pelo Equale. Assim, ele poderá frequentar as aulas do mês. Em contrapartida, o Equale exige do cursinho que envie o relatório da frequência do estudante, mensalmente.

O Instituto busca doadores para o auxílio-transporte. Quem se interessar faz as doações por transferência, depósito, pagamento de boleto ou cartão de cŕedito. A Ong emite os recibos de doação e insere presta contas das doações e dos pagamentos por meio de contabilidade profissional.

Deseja ajudar?

Para ajudar é simples: basta acessar o link e fazer sua doação. Não existe valor pré-estipulado. Alguns doadores “apadinham” um aluno, arcando com os custos integralmente. Outros doam quantias de R$10,00 a R$50,00, que vão se somando até permitir o auxílio a um estudante.

Para fazer sua doação acesse: http://bit.ly/doacaotransporte 

Depoimentos de quem já recebeu a ajuda:

Frank Lucas

Frank Lucas, ex-estudante de cursinho popular, hoje estudante de história e coordenador do cursinho popular Humanizar/Fafich – UFMG

“Olá, sou o Frank, tenho 21 anos, natural de Matozinhos-MG e a seguir contarei um pouco de minha história e a importância de ter participado de um cursinho popular.

Bem, como já disse, sou do interior, cursei todo meu ensino básico e médio integralmente em escola pública. Meu sonho sempre foi ingressar no ensino superior público, pois, além de não ter condições de arcar com mensalidades e futuros gastos, o ensino é renomado e de qualidade.

Na cidade onde vivo não existe muitas oportunidades para quem deseja estudar e aqueles que tem condições pagam um cursinho em uma cidade próxima.

Em 2016 tive a oportunidade de participar de um dos projetos mais maravilhosos que já vi em minha vida, o Equalizar, que é um programa de extensão da UFMG que ministra aulas para alunos da rede pública de ensino com baixa renda.

O Equalizar e toda sua equipe me acolheu de braços abertos, recebi todo o apoio e infraestrutura que não tinham sido me passados durante o ensino médio, conheci pessoas maravilhosas que levarei para toda minha vida e isso, sem dúvidas, foi um dos grandes diferenciais em minha aprovação.

Tenho somente a agradecer a toda essa equipe de pessoas maravilhosas que até em momentos de dificuldades, me deram apoio para pagar minha passagem para que eu pudesse me deslocar da minha cidade ao cursinho.

Só tenho a agradecer por ter feito parte deste projeto incrível e graças a todos os voluntários e demais pessoas envolvidas, consegui ser aprovado em História na UFMG e vocês fizeram toda a diferença, muito obrigado, de coração!”

Gilcielly Ferreira

Eu nasci em Vespasiano, eu sou de Vespasiano. Estudei minha vida toda em escola pública. Estudei na Escola Estadual José Gabriel de Oliveira. Um belo dia eu tava no facebook e vi sobre o Equalizar, um cursinho popular totalmente gratuito. Pensei “quero fazer faculdade”, mas não tenho uma base para passar no ENEM e conseguir uma bolsa. Eu entrei vi, e fiz a inscrição.

Meu irmão faz engenharia mecânica, e estava desempregado. Minha mãe, que é cantineira em uma escola municipal, estava tendo que arcar com a passagem dele e com a minha. Antes ela arcava só com a dele, e aí comecei a estudar, o custo aumentou. A partir do segundo semestre, pedi ajuda para conseguir continuar os estudos.

Minha mãe e meu pai estudaram até o fundamental um. Na minha casa só meu irmão mais velho faz  faculdade.

Fiz a prova no final do ano e deu tudo certo. Fui aprovada em Jornalismo na UFMG e recebi bolsa integral para estudar Direito na PUC. Escolhi estudar direito. Já comecei as aulas. Estou gostando muito. Estou trabalhando. É um mundo totalmente diferente do que eu era acostumada.

Eu queria agradecer as pessoas que colaboraram para que eu pudesse frequentar diariamente o Equalizar. A essas pessoas que contribuíram com os meus estudos ano de 2018 fica a minha enorme gratidão.

Gostaria de dizer o quão importante é para nós alunos essa colaboração. Muitas vezes, alunos deixam de ir às aulas por não ter condições de arcar com as passagens de ônibus e perdem a oportunidade de estudar em um cursinho popular. A contribuição de vocês, é um grande divisor de águas em nossas vidas.

Aqui deixo o meu muitíssimo obrigado ao Equalizar e a todos que contribuíram com a luta pelos meus sonhos!!!

Saiba mais sobre os Cursinhos Populares de Minas Gerais.

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